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sábado, agosto 14, 2004

SERAPIÃO


Noite imensa
Deus baixou na Serra de Serapião e disse:
Brasil é meu
Mas não quero saber de muita bruxaria!

O mato encolheu. Visagens se apagaram
O silêncio visitou a floresta
Maria-cata-piolho benzeu-se no escuro

Deus então sem dizer nada reuniu distâncias
E começou a ouvir histórias de ai-me-acuda
A mãe-febre e o ploc-ti-ploc de lobisomem juntando esqueletos
Queixas de mulher que não tinha útero

Deus ficou pensativo

Sapo acendeu os olhos no escuro
Escreveu silêncios

- Pois não faz mal. Então Brasil fica assim mesmo!
Podem fazer puçangas de mau-olhado
Usar figas contra quebrante
Mirongas e benzeduras
Pajé-bruxo pai-de-santo

Quero um Brasil com boi-catira
E festas de tirolé
São João com banhos de cheiro
E mandingas de chamar o mato

Brasil respondeu: louvado seja!

Então Deus com alma doce foi conversar com as árvores
O rio de águas insones se encostou num barranco
Piou no mato o murucututu

Sombras murcharam
No alto ainda ocupavam espaço algumas estrelas independentes
Deus mandou acender fogo. Vintém-queimado!
Céu incendiou-se
Madrugada


Raúl Bopp

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