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domingo, agosto 15, 2004






O CÂNTICO DA MÃE

Homens,

esses meninos
foram colhidos fundo no meu ventre

gritaram para a luz
sujos de sangue e sebo

face e corpo moldei-os
ao longo dos meus dedos

pus sol em suas mãos
e flores em seu cabelo

articulei seu lábio
e sondei sua fronte

virei seu rosto ao espaço
seu olhar ao mais longe

(Por entre cada pétala era tempo
de tecer o aroma das màluas
de tocar uma a uma cada nuvem
e de entrançar a chuva
era tempo
de medir a raiz pela pergunta
de escutar a semente mais profunda
em luta com o muchem pela terra húmida
do chicuvi
do todo azul madinde todo azul
do chèrule
do fumo esbranquiçado dos brazidos
sobre a castanha verde curva escura...)

Homens,

esses meninos
são do silêncio puro do meu ventre

sou sua cicatriz
e primeira palavra

      (e se é tempo de ser gume e de ser espada,
estilhaço, ferro, lança, bronze e ouro)

amaldiçôo aquele que não mos traga

como lumes na sombra
sujos de sangue e belos
mãos rasgadas e firmes
e cinzas no cabelo
de pé, crucificados
de olhar seguro ao longe
e no lábio a palavra
que os fez de ouro e de bronze


Glória de Sant'Anna

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