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terça-feira, agosto 17, 2004

MEIA-NOITE


O monte da lenha adernou mais depressa
este inverno
levámo-lo para dentro de casa e deixámos que aquecesse
alguma palavra mais fria
aquela
tristeza recente. Ateamos a lareira com
as notícias da véspera
devolvemos à verdade sua condição de cinza
(vendo as chamas dançar lestas
com a sombra da parede
uma
dança demasiada). Queria
apear pelo chão as peças
do coração para
o poder reparar mas

uma dor que sopra fina
como um longo manto escuro
que bate contra a vidraça
e abana a persiana irado
de
não entrar. O
monte de lenha apoucou e
o sino da torre da igreja soou doze badaladas
(não vás esquecer por descuido o
teu chinelo de quarto
no
degrau da lareira). O
monte de lenha acabou. E
se
Deus nos acaba?

José Luís Barreto Guimarães
Rés-doChão

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