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segunda-feira, julho 05, 2004

OS TRABALHOS DA MÃO


Começo a dar-me conta: a mão
que escreve os versos
envelheceu. Deixou de amar as areias
das dunas, as tardes de chuva
miúda, o orvalho matinal
dos cardos. Prefere agora as sílabas
da sua aflição.
Sempre trabalhou mais que sua irmã,
um pouco mimada, um pouco
preguiçosa, mais bonita.
A si coube sempre
a tarefa mais dura: semear, colher,
coser, esfregar. Mas também
acariciar, é certo. A exigência,
o rigor, acabaram por fatigá-la.
O fim não pode tardar: oxalá
tenha em conta a sua nobreza.

Eugénio de Andrade
Ofício de Paciência



«O poeta Eugénio de Andrade vai ser distinguido, em Agosto, com o prémio de poesia da revista literária de Cantão, "Poesia e Homem", que dedica o próximo número, integralmente, ao autor de "Afluentes do Silêncio". Esta é a primeira vez que na China continental uma revista publica uma antologia de um poeta português.» continuar a ler sobre Eugénio de Andrade.

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