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sábado, junho 26, 2004

A POESIA DE RUI KNOPFLI 

O POMBO VERDE


Sombra tutelar da infância, à noite,
no quarto da Pensão Avenida, Rufiano
vela pelo meu sono até que o sono,
a si, lhe baixe as pálpebras. No corredor,
ao fundo, a voz imperiosa de dona Cidália,

curando da disciplina, ralha aos criados.
Mais tarde, atravessaríamos o Incomáti,
caçadeira 410 ao ombro, cartucheira
pendendo do cinto. Objectivo: o pombo
verde, ave caprichosa que, sem êxito,

teimaria perseguir. Andamos de mafurreira
em mafurreira, à sombra das largas copas.
Súbito, olho atento, Rufiano cicia.
Lá está ele, num galho alto, a camuflar
seu verde no vário verde da folhagem.

Disparo seco. Cai, perdida, uma rola,
mas o pombo verde levara sumiço.
Voou para longe, para bem longe
do meu alcance, fugindo da minha
infância, como esta fugia de mim.


Rui Knopfli

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