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sexta-feira, maio 07, 2004

SÃO COISAS ASSIM



São coisas assim que tornam o coração
vulnerável: o regresso
das cegonhas brancas,
o comboiinho do ramal de Ceira
que parece de corda, as oito linhas
da Canção Nocturna do Viandante
que Schubert musicou.
Quem dividiu comigo a alegria
merecia ao menos
que o trouxesse à orvalhada
e limpa terra do poema. Mas também
o poeta escreve direito por linhas
tortas: a poesia é a ficção
da verdade. Não será
a curva apetecida do teu peito
mas os lémures de Madagáscar,
que só vi num filme francês,
o que verdadeiramente queria
hoje trazer ao poema.

Eugénio de Andrade



NÃO TE ESQUEÇAS NUNCA


Não te esqueças nunca de Thasos nem de Egina
O pinhal a coluna a veemência divina
O templo e teatro o rolar de uma pinha
O ar cheirava a mel a pedra a resina
Na estátua morava tua nudez marinha
Sob o sol azul e a veemência divina

Não esqueças nunca Treblinka e Hiroshima
O horror o terror a suprema ignomínia

Sophia de Mello Breyner Andresen

KLIMT

para ver o WEBMUSEAUM-Paris

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