Fazendo Caminho I <$BlogRSDUrl$>

terça-feira, abril 20, 2004


TEMPO DE RUSGAS

I
SBA

Era tempo de rusgas.
Havia ordens terminantes
mas era preciso não andar desarmado.

A revista nas estradas era intensa.

Bem armado
passei sem licença de porte de arma
minha mão comprimindo no bolso
as coronhas de 3 poemas.

II

Os que não são poetas
ignoram o que é estarmos em reclusão
armados de conluios até aos dentes.

E na sua imprevidência
não sabem que um poema detido
mesmo de cor na cabeça
também é uma forma
dialéctica
de lhes armar o cerco.

III
SBA


Sou daquela raça
dos revolucionários mais perfeitos.
A raça dos homens ao natural
que amam o amor sem as mil
fictícias boas maneiras
burguesas.

Raça
dos revolucionários mais puros
no amor à beleza feminina
na adoração pelas crianças
no respeito pela velhice
no ódio à mendicidade.

Raça de revolucionários cheios de defeitos
e apenas uma pequeníssima qualidade:
Mesmo inseridos em molduras de alvenaria
com uma força de segurança no exterior
não compramos o Amor
e não nos vendemos!

José Craveirinha - Cela 1



PARA UM IDÍLIO CLANDESTINO

SBA


Deixa-me que te beije
ao de leve o rosto na manhã nova
e meus dedos acariciem
nervosos a curva meiga do teu seio.

Meu amor:
o senso fragmenta-me a sensibilidade
e o que sei sinto-o
larva plena do que há-de vir.

Tu e eu
envolvidos nesta aventura
esperamos o comprometido instante
nalguma parte a sós.

Vai. Não te esqueças.
Nesta manhã do Infulene
ao quilómetro dez da liberdade
o sobrenatural acontece:
É assim.
Eu preso.
E tu minha mulher
depois da visita partes à vontade
mas não livre.

José Craveirinha - Cela 1


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