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sábado, janeiro 24, 2004


De luto - Norma Alicia Catoira
V BIENAL NAIF INTERNACIONAL 2002



......Tivemos um passado extraordinariamente eletista, conservador, que não fez cruzamentos, nem deu possibilidades de educação, melhoria sanitária, não criou civilização. Aliás reproduzimos nos países africanos o que se fazia cá.
Há uma elite bem preparada e possidente, que é absolutamente indiferente à sorte dos outros, que são a maioria. E a grande maioria é obediente, ignorante e sem capacidade de reivindicação. Isto gerou um país com uma estrutura arcaica, que continua a estar estratificado dessa maneira. O que mais me impressiona é que essa tendência continua e acentuou-se nos últimos anos. Voltaram a dominar os nomes de família. E ser humilde, andar de mão estendida continua a ser qualquer coisa de positivo em Portugal. Isso transpõe-se para a relação com as pessoas que vêm de outros sítios, que têm outra aparência. Só que o mundo não é mais o mesmo e a castanha vai estalar. Quero falar dessa ferida do meu tempo. E sabemos como o repelente é atraente para a ficção.

Lídia Jorge
Jornal de Letras nº 836 de 16/10/2002


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