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sábado, dezembro 27, 2003


CANTIGA DE AMIGO

ao Sebastião Alba

bateu ao portão um dia
bateu ao portão
abri-lho

vinha da estrela do norte
bebendo copos de vinho

dançou batuque na sala
(vestia como um mendigo)

disse versos disse prosas
do mais longe tempo antigo

chorou de mágoas passadas
cantou versos repartidos

dançou batuque na sala
vestido como um mendigo
e chorando sobre sonhos
e ao mesmo tempo sorrindo

disse adeus
adeus
adeus
e caiu adormecido


Glória de Sant'Anna



Poema inédito ( incluído num livro pronto) e resultante da amizade e empatia que nos reuniu em Moçambique.
Da troca de emoções literárias, de uma certa loucura do Sebastião, que quando aqui chegou, pousando sobre a relva o seu saco de mendigo me beijou a mão.
Comoveu-me revê-lo.
Ele era o mesmo por sob as rugas, o rosto devastado o cabelo cinzento e revolto.
Diniz Carneiro Gonçalves, sim.
Mas acima de tudo Sebastião Alba.
O controverso.
A grande presença revoltada.
O perturbador inesperado.
O Poeta.

Glória de Sant' Anna
Dezembro de 2003


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