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terça-feira, outubro 28, 2003

PALAVRAS DE ANTONIO TABUCCHI
retiradas de uma interessante entrevista concedida a Sílvia Souto Cunha (Visão nº 555)

«Todos gostamos de acreditar em histórias felizes, mas acabamos por contar histórias tristes. É o paradoxo do artista. Aliás, penso que uma das funções da arte é parar com esse olhar sobre o que pode acalmar. É melhor ver aquilo que não nos sossega. No nosso mundo, há "tranquilizadores" por profissão - são os políticos, os teólogos, todos os que manobram a sociedade. Os artistas têm que «apanhar» os alarmes, dizer que não é bem assim, pôr no papel que quatro mil quilómetros de estrada em Portugal têm enormes buracos. É o papel da arte, é o livro do desassossego em suma».

.....

«Gostaria de fazer mais. mas como? O quê? Portanto, continuo a contar contos. Se contar uma estória em que, simbolicamente, existe uma prepotência, essa é a minha maneira de passar uma mensagem. Embora acredite que a literatura não tem que ter mensagem, tem que ser livre. Como dizia Oscar Wilde, todos vivemos no lodo mas, de vez em quando, gostaríamos de olhar as estrelas. Mas, por vezes, parece que não há tempo nem para dizer "ah, esta noite quero ver como está o céu do Alentejo", que é um dos céus mais belos do mundo. E temos o direito de olhar as estrelas. Gosto muito dos astrónomos - são criaturas magníficas porque passam a vida a olhar para o alto.
Mas o olhar dos escritores é à altura do homem....»


Antonio Tabucchi



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